No dia em que se falar mais do papel da Escola, das Famílias e dos Agentes Culturais é sinal de que se está a ver mais a Europa dos princípios e dos valores, a Europa do espírito e da cultura e não a dos bens materiais.
Problemas do Sistema Educativo Europeu
Se compararmos os dois espaços mais ricos do mundo, Japão e Estados Unidos, com a Europa, o sistema educativo europeu é um sistema que produz uma população subeducada e desviada. É subeducada porque o sistema europeu de educação foi ultrapassado quer pelo japonês, quer pelo norte-americano. Ou seja, ao nível do ensino básico produz mais iletrados, fazendo com que no ensino secundário uma menor percentagem de classes etárias correspondentes o concluam.
No domínio universitário também existem problemas: são formados poucos universitários e, mesmo assim, desfasados das necessidades sociais e, por vezes, formados para um desemprego qualificado. E desviada porque este sistema de orientação funciona demasiado cedo, obrigando a opções vocacionais largamente erradas. Esses erros de vocação fazem com que os elementos menos dotados sejam atirados para zonas estratégicas no funcionamento da sociedade, o que gera insucesso escolar.
Criação de Espaço Europeu do Ensino Superior
Para alterar esta situação de atraso no ensino em relação aos Estados Unidos da América e ao Japão é necessário a criação de um Espaço Europeu de Ensino Superior coerente, compatível, competitivo e atractivo para os estudantes europeus e até de países terceiros.
É com o Processo de Bolonha que se tenta chegar a esse objectivo. Este tratado é uma forma de integração que visa a promoção da mobilidade e da empregabilidade da população activa em geral e dos estudantes, docentes e investigadores em particular.
Participar no Processo de Bolonha implica a introdução de reformas no Ensino Superior. Actualmente, com 4 anos obtém-se uma licenciatura e com mais 2 um mestrado. Com as alterações do Acordo de Bolonha, em 4 anos já se é mestre. Ou seja, um primeiro ciclo de 3 anos onde se obtém a licenciatura; o segundo ciclo de um ano conduz ao mestrado e com o terceiro, o doutoramento. Mas este modelo 3+2 não poderá abranger todos os cursos. De acordo com as directivas comunitárias, existem áreas de ensino em que a formação de cinco anos consecutivos é obrigatória. Como por exemplo Medicina e Arquitectura, o modelo será de 0+5. Contudo existem dúvidas sobre o impacto destas mudanças na empregabilidade dos graduados, da justeza das equivalências entre os actuais e os futuros títulos.
A qualidade do ensino com esta fórmula de Bolonha fica ameaçada se se limitar a concentrar um curso em três anos. Estes programas são já conhecidos por "programas bonsai". O 1° ciclo torna-se assim demasiado curto e intensivo não deixando tempo aos alunos de fazer trabalhos extracurriculares. As licenciaturas devem ter o tempo necessário à transmissão de conhecimentos e aquisição das competências necessárias ao exercício das profissões e assim, sem se perceber que conhecimentos se deverão adquirir no primeiro ciclo, não se poderá estabelecer a duração do mesmo. O que é preocupante porque quem estuda neste sistema está condenado a obter um grau inferior, ou seja, uma licenciatura obtida agora tem objectivos de formação semelhantes ao do mestrado no sistema de Bolonha, passando a serem injustas as equiparações com o anterior sistema.
Haverá, inevitavelmente, um impacto dos novos títulos na carreira, um confronto entre os licenciados de 5 e os de 3 anos. Teme-se, entretanto, o aparecimento da "agenda oculta" de Bolonha. Reduzindo todo este acordo a uma questão de competitividade económica do espaço europeu onde se pretende diminuir os custos com a mão-de-obra e os encargos do Estado com o Ensino Superior. Assim o 1° ciclo de estudos será financiado pelo Estado e os restantes, 2° e 3°, serão pagos pelos alunos.
Integração na União Europeia
"Não há comunidade se os seus membros não se sentirem como tal identificados" é preciso fazer com que os europeus sintam isso mesmo, uma comunidade. A escola é um meio de ajuda à construção de uma mentalidade ou de um espírito europeu. Um outro desafio de integração é comunicação linguística para os europeus. É preciso pensar na comunicação com o resto da Europa, não desvalorizando as línguas nacionais que faz parte da identidade de um povo. A Europa seria privilegiada numa comunicação a duas línguas: a nacional, de cada povo e o inglês.
Matérias leccionadas nas escolas de cada país
Esse valor de identidade europeia não consegue sobreviver à maneira como algumas matérias são dadas na Europa como por exemplo História ou Literatura.
São todas dadas numa perspectiva nacionalista que sobrevaloriza os elementos de divisão europeia. Comecemos pela História. A Europa é um espaço de permanentes guerras internas. Entre França e Inglaterra, entre Portugal e Espanha, entre católicos e protestantes… Não é no ensino da História que se concertam factores de unidade europeia.
Já para não falar da Literatura, onde é que se ouve falar dos valores clássicos da literatura europeia? Quem é que na escola já ouviu falar de Dante, Joyce, Proust ou Kafka?
Francisca, Jani, Joana, Priscila






